NOSSA VISÃO - 19/08/2019

Retrospectiva

Os mercados repercutiram as preocupações com um provável cenário de piora da economia global, com a divulgação de dados ruins na zona do Euro e na China.

A Alemanha divulgou que o PIB local recuou 0,1% no segundo trimestre, após a produção industrial dos países da zona do Euro encolher 1,6% em junho, na comparação com o mês de maio, acentuando os sinais de fraqueza na economia da região.

Na China, foi divulgado que a produção industrial cresceu a uma taxa de 4,8% em julho. Apesar da expressividade do indicador, a expectativa dos especialistas era de uma atividade industrial na casa dos 5,9%, número bem maior que o divulgado.

Ainda no front externo, novos focos de preocupação com a economia global vieram dos EUA. A inversão atípica entre as taxas curtas e longas dos Treasuries (títulos públicos dos EUA) se acentuou na semana. Os títulos de 10 (dez) anos estão com taxa menor que os de curto prazo, indicando uma corrida dos investidores para a proteção, o que pode ser um indício de recessão no curto prazo. Imediatamente, o mercado de ações reagiu e levou a uma queda forte no S&P 500, um dos principais indicadores do mercado de ações nos EUA.

A sinalização dada pelo Federal Reserve (FED, na sigla em inglês) na última reunião, ao reduzir o juro básico da economia americana, reforçou a tese do mercado financeiro de que o crescimento da economia dos EUA poderia perder fôlego no curto prazo.

Ainda nos EUA, foi divulgado que a confiança dos consumidores americanos deteriorou-se acentuadamente em agosto, conforme pesquisa conduzida pela Universidade de Michigan. O índice situou-se em 92,1 pontos, mais de seis pontos abaixo de seu nível anterior e seu menor nível desde o início do ano. Os analistas esperavam uma queda muito mais moderada, de 97,7 pontos.

Para os mercados de ações internacionais, a semana que passou manteve o movimento de queda generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou 1,12% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, despencou 1,88%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu 1,02% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, perdeu 1,28%.

Em relação à economia brasileira, foi divulgado que o desemprego no Brasil recuou para 12% no segundo trimestre, conforme a Pesquisa Nacional por amostra de domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE. No primeiro trimestre a taxa era de 12,7%, atingindo 12,8 milhões de desempregados no país. A pesquisa indica que um contingente de 3,3 milhões de desempregados procuram empregos há no mínimo dois anos.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, em meio às notícias negativas vindas da Argentina após a vitória da oposição nas eleições prévias, que levaram o Merval (índice do mercado acionário local) a derreter mais de 30% na semana. Os dados fracos da China e Alemanha, além do movimento da curva de juros nos EUA, também contagiaram nossos mercados. O Ibovespa recuou 4,03% na semana, reduzindo a variação acumulada no ano para 13,56% e a de doze meses para 31,27%. O dólar comercial, por sua vez, avançou 1,54% na semana, cotado a R$ 4,0029 na compra e R$ 4,0037 na venda, e o IMA-B Total encerrou a semana com recuo de 0,15%, acumulando alta de 0,82% no mês.

Relatório Focus

No Relatório Focus divulgado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,71% em 2019, ante 3,76% da semana anterior. Para 2020 a estimativa é de que suba 3,90%, também como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o mercado financeiro manteve suas projeções, Nesta semana, o relatório informou que, no fim de 2019 a taxa Selic estará em 5,00%, mesmo número da pesquisa anterior, e em 2020 em 5,50%, também como na pesquisa anterior.

O mercado financeiro aumentou a projeção para o crescimento da economia, com a expansão do PIB ajustada para 0,83% neste ano, ante 0,81% na projeção anterior. Para 2020 a estimativa também subiu, passando de 2,10% para 2,20%.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana deverá estar em R$ 3,78 no final do ano, ante R$ 3,75 do último relatório, e em R$ 3,81 no final de 2020, uma alta em relação aos R$ 3,80 da semana anterior.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, as expectativas são de um ingresso de US$ 85 bilhões em 2019, como na última pesquisa, e de US$ 84,68 bilhões em 2020, frente a US$ 85,28 bilhões na pesquisa anterior.


Perspectiva

A semana inicia com perspectivas mais positivas. Notícias de que o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) divulgou um plano de reformas nas taxas de juros com objetivo de reduzir os custos de financiamentos dos empresários, em meio à desaceleração da economia chinesa, animam os mercados.

Ainda no front externo, a Alemanha dá sinais ao mercado de que o Banco Central local está preparado para liberar recursos da ordem de US$ 55 bilhões para estimular a economia e enfrentar uma possível recessão à frente.

Na vizinha Argentina, a troca no comando da economia após a renúncia do ministro da fazenda argentino, Nicolás Dujvone, vem como uma medida de contenção dos mercados locais, que sofrem com a desvalorização da moeda local, que perdeu 19,9% em cinco dias.

Com agenda de indicadores esvaziada aqui e lá fora, o mercado estará de olho nos dados da segunda prévia do IGP-M de agosto.

No campo da política, destaque para a Lei de Abuso de Autoridade. O noticiário destaca que o ministro Sérgio Moro deverá sugerir ao Presidente Bolsonaro o veto a diversos itens da norma aprovada pelo Congresso na semana passada. Dentre eles, a condenação de magistrado que decretar prisão sem amparo legal.

Em relação às aplicações dos RPPS aconselhamos o investimento de 25% dos recursos em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção por conta das posições assumidas pelo gestor.

Para os vértices de longo prazo (especificamente o IMA-B Total) recomendamos uma exposição de 10%.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total), a recomendação é para uma exposição de 25% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDBs a alocação sugerida é de 10%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da nova resolução editada pelo CMN, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo).

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição máxima de 30%, por conta da melhora do ambiente econômico neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfolio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais superam a meta atuarial.

Para a alocação em fundos multimercado a nossa sugestão é de 10% dos recursos e de 2,5% a alocação em FII e FIP, respectivamente, dada a pouca disponibilidade de produtos no mercado enquadrados para os RPPS. Para o investimento em ações, a nossa recomendação é de 15% dos recursos, tendo-se em vista o potencial de crescimento das empresas neste e nos próximos anos, como já dissemos, em uma conjuntura de baixa inflação e taxas de juros nas mínimas históricas. Muito embora ainda esteja no campo das expectativas, a implementação das reformas estruturais demandadas pelo mercado em muito também poderão influenciar o comportamento positivo das ações, no futuro.

Para aqueles clientes que já contam com investimento de 5% tanto em FII, quanto em FIP, recomendamos que o teto de investimento em ações se mantenha em 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.


* Aos clientes que investem em FIDC / Crédito Privado / Fundo Debênture, utilizar como limite máximo o percentual destinado ao Médio Prazo.

** Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição de 15% aos Fundos de Ações na proporção desse excesso. 


Indicadores Diários -16/08/19



Índices de Referência -Julho/2019