NOSSA VISÃO - 23/09/2019

Retrospectiva

A semana manteve o movimento de valorização dos ativos de risco, na esteira dos noticiários domésticos e externos.

A semana iniciou sob o impacto dos ataques de rebeldes do Iêmen em instalações petroleiras na Arábia Saudita, que provocaram incêndios na maior refinaria de petróleo do mundo, e causaram uma disparada do preço do óleo no mercado internacional, afetando bolsas de valores no mundo inteiro. O barril do tipo Brent, no Reino Unido, que é uma referência internacional, encerrou a segunda-feira com uma alta de quase 15%. Nos dias que se seguiram, parte da produção de petróleo foi retomada e as previsões indicam que até o final do mês a produção será normalizada. Com isso, o preço do barril que chegou a bater quase US$ 70, recuou em parte e passou a ser negociado na casa dos US$ 64.

Mas o destaque da semana foi o movimento coordenado de autoridades monetárias mundo afora, com objetivo de incentivar a economia global que dá alguns sinais de recuo.

O Banco Central Japonês (BOJ, na sigla em inglês), decidiu manter sua política monetária inalterada e reiterou que os juros vão permanecer baixos por um período prolongado. A taxa de depósito foi mantida em -0,10%, e a meta de juros para os títulos de 10 anos permaneceram em zero. No comunicado, o BOJ sinalizou que poderá adotar medidas de estímulo adicionais na próxima reunião.

A reunião mais aguardada foi a do Federal Reserve (FED, na sigla em inglês), o banco central norte-americano. Em decisão dividida, o FED resolveu reduzir o juro básico em 0,25 pontos percentuais para a faixa de 1,75% a 2%, mas não deu indicações claras sobre possíveis novos cortes este ano, uma vez que dirigentes da instituição mostraram divergências sobre o que fazer no futuro.

Na zona do Euro ocorreu a reunião do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). O colegiado decidiu por unanimidade manter a taxa básica de juros inalterada em 0,75% ao ano e a manutenção do estoque de compras de bônus corporativos não financeiros em 10 bilhões de libras e o de bônus do governo, os Gilts, em 435 bilhões de libras.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de queda na maior parte das bolsas de valores. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, ficou no zero e o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou -0,41%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu -0,51% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 0,41%.

Em relação à economia brasileira, destaque para a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM). Por unanimidade, o colegiado decidiu pela redução da taxa básica de juros da economia de 6,00% para 5,50% ao ano. O percentual, que já era esperado pelo mercado financeiro, é o menor desde o início do regime de metas de inflação, em 1999. É também o menor da série histórica do Banco Central, que começou em 1986. No comunicado pós-reunião, o COPOM deixou a porta aberta para nova redução ainda este ano, porém ressalvou que eventual frustração com as reformas em andamento podem comprometer os esforços para consolidação do cenário benigno para a inflação futura.

Para a bolsa brasileira a semana foi de valorização nos preços das ações. O Ibovespa avançou 1,27% na semana, acumulando valorização no ano de 19,26% e 31,94% em doze meses. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 4,152 na compra R$ 4,153 na venda. Na semana, a moeda norte-americana teve uma valorização de 1,60%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com crescimento de 2,05%, acumulando ganhos no ano de 19,25%.

 

Relatório Focus

No Relatório Focus divulgado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,44% em 2019, uma redução ante os 3,45% da semana anterior. Para 2020 a estimativa foi mantida em 3,80%. O resultado continua abaixo da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,25%.

Para a taxa Selic, o mercado financeiro manteve suas projeções, com o relatório informando que, ao final de 2019, a taxa Selic estará em 5,00%. Para 2020, a previsão também foi mantida em 5,00%, o que indica expectativa de estabilidade da taxa básica de juros ao logo do ano que vem.

O mercado financeiro manteve a estimativa para a taxa de crescimento da economia este ano em 0,87%. Para 2020 a expansão do PIB também foi mantida em 2,00%.

Os profissionais consultados pelo BACEN elevaram as previsões para o dólar a R$ 3,95 neste ano, ante R$ 3,90 da projeção anterior. Para o encerramento de 2020, a estimativa ficou inalterada em R$ 3,90.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, as expectativas são de um ingresso de US$ 85,00 bilhões em 2019 e de US$ 85,00 bilhões em 2020, ambos abaixo das previsões da semana passada.

 

Perspectiva

A volatilidade nos preços dos ativos tende a permanecer durante esta semana, especialmente na área de juros, com a leitura da ata da última reunião do Copom da semana passada que deverá ser divulgada na terça-feira. Já há agentes financeiros trabalhando com juros de 4,25% ao ano no começo do ano que vem, o que deve trazer mais impactos no mercado de juros. As taxas caíram também nos mercados futuros, chegando a menos de 5,00% ao ano no contrato DI para janeiro de 2021.

Outro elemento que pode influenciar os juros é a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central (BACEN), que na quinta-feira trará a visão da autoridade sobre a tendência dos preços no próximo ano e pode mostrar o quanto de espaço há para novos cortes na Selic. Na terça-feira será conhecido o IPCA-15 de setembro, prévia da inflação oficial, e na sexta-feira será revelado o IGP-M, índice que é usado na correção dos aluguéis, referente este mês.

Os olhos também estarão voltados para a votação da reforma da previdência no Senado Federal. O projeto de emenda constitucional acabou dividido em dois e a primeira parte, menos polêmica, pode ser aprovada esta semana.

As atenções estarão divididas com o noticiário internacional, refletindo as preocupações com as negociações em torno da guerra comercial entre EUA e China. Na semana passada, equipes das duas potências mantiveram discussões em torno do assunto. No entanto, o cancelamento da ida de uma delegação chinesa a fazendas nos EUA e seu retorno antecipado foram interpretados de maneira negativa pelos investidores, que viram no ato um retrocesso das negociações.

Em relação às aplicações dos RPPS aconselhamos o investimento de 25% dos recursos em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção por conta das posições assumidas pelo gestor.

Para os vértices de longo prazo (especificamente o IMA-B Total) recomendamos uma exposição de 10%.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total), a recomendação é para uma exposição de 25% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDBs a alocação sugerida é de 10%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da resolução CMN nº 3.922/2010 conforme alterada, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo).

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição máxima de 30%, por conta da melhora do ambiente econômico neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfolio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais superam a meta atuarial.

Para a alocação em fundos multimercado a nossa sugestão é de 10% dos recursos e de 2,5% a alocação em FII e FIP, respectivamente, dada a pouca disponibilidade de produtos no mercado enquadrados para os RPPS. Para o investimento em ações, a nossa recomendação é de 15% dos recursos, tendo-se em vista o potencial de crescimento das empresas neste e nos próximos anos em uma conjuntura de baixa inflação e taxas de juros nas mínimas históricas. Muito embora ainda esteja no campo das expectativas, a implementação das reformas estruturais demandadas pelo mercado em muito também poderão influenciar o comportamento positivo das ações, no futuro.

Para aqueles clientes que já contam com investimento de 5% tanto em FII, quanto em FIP, recomendamos que o teto de investimento em ações se mantenha em 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.


* Aos clientes que investem em FIDC / Crédito Privado / Fundo Debênture, utilizar como limite máximo o percentual destinado ao Médio Prazo.

** Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição de 15% aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários -23/09/19


Índices de Referência -Agosto/2019