NOSSA VISÃO -24/08/2020

RETROSPECTIVA

Mais uma semana marcada principalmente pelo tumulto causado por questões políticas, as discussões sobre reformas, orçamento público para 2021 e a postura do Senado que derrubou vetos do presidente Bolsonaro. 

A retomada econômica vendo sendo o principal ponto aos olhos do mercado, enquanto alguns países não esboçam com clareza o desenho da sua curva de recuperação, os investidores têm agido com certa incerteza, deixando o mercado com significativas alternâncias. 

Fato que pode muito bem exemplificar tal incerteza, é a ata publicada pelo banco central europeu, onde a palavra "incerteza" foi inúmeras vezes citada, não transparecendo a segurança necessária que o investidor almeja.

Um ponto importante para a patinada dos Estados Unidos, é a discussão e o não acordo entre democratas e republicanos em relação ao novo pacote de estímulos fiscais, impedindo a consistência dos mercados americanos, porém a Nasdaq e o S&P bateram em pontuações na semana. 

Nos Estados Unidos, durante o período, continuaram as pressões sobre a China, apesar do governo declarar que estão cumprindo os acordos comerciais da primeira fase. Porém, reuniões que antes haviam sido remarcadas, agora tem o status de canceladas, e haverá inicialmente apenas reuniões por teleconferência. 

Mas as pressões sobre tecnologia 5G e bloqueio de acesso à gigante Huawei, empresa multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações sediada na cidade de Shenzhen, província de Guangdong, na China, continuaram, assim como pressões sobre países aliados dos EUA para exclusão de empresas de tecnologia chinesa. Os EUA também iniciaram novas sanções contra o Irã e empresas aéreas dos Emirados Árabes, por manterem vínculos não aprovados com o país chinês.

Na zona do euro, o Reino Unido e a União Europeia mantiveram o impasse nas negociações comerciais pós-Brexit e a União Europeia mantem sua posição em relação as instituições financeiras do Reino Unido, que terão que esperar o aval da UE para operarem.

A ata do BCE (BC europeu) divulgada no período deixou aparente que a recuperação econômica da zona do euro não está clara e está explícita a discordância de países com relação à ajuda emergencial aprovada de 1,35 trilhão de euros, querendo que esse seja o teto de ajuda.

Ainda na semana, a OPEP anunciou que a Arábia Saudita e a Rússia reafirmaram corte de produção e crença no reequilíbrio do mercado de petróleo, deixando a situação em torno do petróleo com mais estabilidade.

No Japão, os principais preços ao consumidor permaneceram inalterados em julho em relação ao ano anterior, mostraram dados do governo na última sexta feira. O índice básico de preços ao consumidor, que inclui produtos petrolíferos, mas exclui os preços dos alimentos frescos, em comparação com a estimativa média dos economistas de um ganho anual de 0,1%. Tirando o efeito dos alimentos frescos e da energia, os preços ao consumidor aumentaram 0,4% em julho em relação ao ano anterior.

Por aqui, além da preocupação com o cenário externo, devida a enorme sensibilidade que temos perante aos outros mercados, O grande susto ficou por conta da derrubada do veto de reajuste de salários dos servidores públicos até final de 2021 pelo Senado, o que provocaria dispêndios da ordem de R$ 130 bilhões. Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes foram enfáticos em afirmar que assim seria impossível governar o país e o péssimo sinal dado pelo Senado da República. 

Rodrigo Maia, o atual presidente da Câmara foi a grande liderança para conseguiram manter os vetos no início da noite de 20/8, aliviando tensões. Porém, os investidores permaneceram ressabiados.

Ainda há uma enorme preocupação com o encaminhamento do orçamento de 2021 até o final desse mês, e como o governo irá lidar com as pressões de gastos, nos resta apenas esperar.


RELATÓRIO FOCUS

Após o corte na projeção para a Selic em 2021 de 3% para 2,75% no último relatório semanal, o mercado financeiro voltou a estimar a taxa básica de juros novamente em 3,00% ao fim do próximo ano. É o que mostra o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira (24).

A projeção para 2022 também foi alterada, com corte de 25 pontos, indo de 4,75% para 4,50% a.a. Este ano, contudo, os juros devem permanecer no patamar atual de 2,00% ao ano, segundo os economistas consultados pelo BC.

Entre os economistas consultados pelo Banco Central que mais acertam as previsões, reunidos no grupo "Top 5 médio prazo", as projeções para o câmbio e para a inflação foram modificadas.

Segundo o Focus, a expectativa é de inflação a 1,63%, em 2020, diante estimativa anterior de alta a 1,58%, sendo a terceira semana com revisão de alta seguida. Para 2021, as projeções foram mantidas em 2,89%.

No que se refere as estimativas para o dólar, obtiveram alta de R$ 5,20 para R$ 5,30, em 2020, e de R$ 5,05 para R$ 5,20, em 2021. Por fim, na taxa básica de juros, os economistas esperam que a taxa Selic encerre este ano em 1,88% e suba para 2,00% em dezembro de 2021.

Com relação ao desempenho da economia brasileira, as projeções dos economistas do Focus foram revisadas para cima, pela oitava semana consecutiva, e agora a expectativa é de uma queda de 5,46% do PIB este ano, resultando numa expectativa melhor em relação a semana passada, assim como foi na semana anterior a ela.

Mesmo sofrendo os fortes impactos devido ao corona vírus, as projeções para o PIB de 2021 não foram revisadas, se mantendo ainda em 3,50%. 



PERSPECTIVA 

A bolsa de valores de São Paulo opera em alta nesta segunda-feira, com o investidor monitorando o aumento de novos casos da COVID-19 pelo mundo e com o bom humor do cenário global com o tratamento do contagio de forma diferente pelos Estados Unidos.

O novo tratamento consiste em transfusões de material retirado do sangue de pessoas que já se curaram da doença e têm anticorpos, estudos iniciais indicam que esse método reduziria a mortalidade da doença em 35%.

O Boletim Focus veio com poucas mudanças em relação ao relatório anterior, revisões pequenas em relação a expectativa de juros e sobre a inflação. Entretanto, os atritos políticos por aqui seguem como um dos principais focos. 

Por aqui, os investidores aguardam com otimismo um megapacote de medidas nas áreas social e econômica, numa tentativa de reativar a economia, e auxiliar o atual presidente ao caminho para as eleições de 2022.

O lançamento está previsto para amanhã (25) e o evento vem sendo chamado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como o "Big Bang Day".

A preocupação com o limite dos gastos públicos ainda é pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e isso não seria bom para o estado da economia atual. 

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal melhor elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se mantem sem ainda a desenhar um horizonte claro, os investidores devem se manter indecisos, no exterior por atritos entre China e Estados Unidos, e por conta da nova onda de contágios, por aqui, decorrente da enorme sensibilidade com o exterior e devido ao conturbado cenário político. 

A nova onda de contágio pela covid-19 está surgindo e a questão que fica é o que chegará primeiro, as vacinas disponíveis para aplicação massiva nas populações ou a segunda onda da doença.

No radar ainda estão as pressões sobre a China e aliados por parte do governo de Donald Trump e muitos ruídos decorrentes da disputa eleitoral americana daqui a até novembro. As negociações comerciais entre o Reino Unido e União Europeia também estarão na ordem do dia.

Por Aqui, vamos seguir com os olhos apontados área política, com o presidente adentrando ao populismo para reeleição, ao mesmo tempo que o país exige que ajustes sejam feitos na economia, sem ferir regra de ouro, LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e teto de gastos. Mas a situação mais calma com Paulo Guedes e o Congresso parecem ser pontos positivos.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-nos em "quarentena" esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.



* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.


Indicadores Diários - 21/08/2020



Índices de Referência - Julho/2020